quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Debate sobre racismo reúne profissionais e estudantes das áreas de psicologia e educação O evento reuniu profissionais da psicologia, da área de educação e estudantes universitários.

O racismo no Brasil é um ato comum, mas ainda pouco discutido. Sob este argumento, o Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP 18-MT) realizou na semana passada mais uma edição do ciclo de debates, desta vez com o tema envolvendo as questões étnico-raciais. O evento reuniu profissionais da psicologia, da área de educação e estudantes universitários. 

“O Conselho fez um chamamento para os profissionais virem conversar sobre este assunto que é uma demanda muito comum no desempenho das atividades do psicólogo. E a nossa entidade está proporcionando esse alinhamento de informações e orientações para atuação nesses casos e para a construção de uma alternativa de enfrentamento”, afirmou o psicólogo e conselheiro do CRP 18-MT, Carleandro Roberto de Souza. Ele acrescenta que “é preciso colocar o racismo “à brasileira” em debate, que é aquele racismo velado, que é uma das formas mais perversas”.     

 “O racismo é um fator preponderante na produção da violência contra o ser humano e gerador de sofrimento, como produtor das desigualdades e que nem sempre é reconhecido como tal”, ponderou a professora Cândida Soares da Costa, do Instituto de Educação e vice-coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (Nepre) da UFMT.

“Tratar do tema racismo é um desafio diário, inclusive na academia, porque vivemos numa sociedade com práticas extremamente racistas”, afirma a professora que traz na experiência a atuação no ensino fundamental e atualmente atua no meio acadêmico e como pesquisadora, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

A responsabilidade dos alunos em buscar junto aos professores a discussão do tema racismo foi relembrada pela estudante de Psicologia Talita Gonçalves, que também compõe os coletivos Kilombo Cassangue de Psicologia, Só Podia Ser Preto, de produção cultural, e o Instituto de Mulheres Negras (Imune).

“Temos que questionar as epistemologias que nos são impostas no nosso curso. Nós, enquanto alunos, temos que exigir dos professores que proporcionem debates sobre as questões étnico-raciais. Precisamos também de uma atualização constante da nossa formação para que saibamos lidar com as questões de saúde mental das pessoas negras sem acentuar o sofrimento já existente”, defendeu a estudante.     


Fonte: Pau e Prosa Comunicação



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